Muitos sons estão tão incorporados à rotina que mal são notados. Ruídos que fazem parte do dia a dia como aqueles provenientes do trânsito (buzinas e sirenes), rádios, televisões, alarmes e músicas, entre tantos outros, parecem ingêunos, mas podem contribuir diretamente para a degeneração auditiva. Quando ultrapassam 85 decibéis por mais de 8 horas diárias tornam-se agressores e, aos poucos, deterioram a estrutrura interna dos ouvidos, provocando a chamada Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR).
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo, cerca de 360 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de perda auditiva. No Brasil, considerando todos os graus de perda auditiva, a incidência é de 15,7% da população de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além do barulho comum às grandes cidades, o uso excessivo de fones de ouvido pode causar perda auditiva com o decorrer dos anos. A OMS alerta que 1,1 bilhão de jovens em todo o mundo correm esse risco devido ao hábito de ouvir música em alto volume. Nos países desenvolvidos, a situação é tão grave que, de acordo com estimativas, mais de 43 milhões de pessoas, entre 12 e 35 anos, já sofrem de surdez incapacitante. Em seu relatório, a OMS estimou que 50% dessa faixa etária está exposta a riscos pelo uso excessivo de tocadores de mp3 e smartphones, e 40% pelos altos níveis de ruído em casas noturnas e bares.
O Dr. Rogério Hamerschmidt, médico otorrinolaringologista do Hospital IPO em Curitiba e professor do Hospital de Clinicas da Universidade Federal do Paraná, aponta que a população não dá a devida atenção à saúde auditiva e, muitas vezes, só percebe o problema já em estágio avançado. “Um grande número de sons e ruídos fazem parte da vida cotidiana. Seja pelos sons vindos da rua ou da música em alto volume, as pessoas não se dão conta do esforço ao qual os ouvidos são expostos diariamente. É por isso que é muito importante oferecer descansos periódicos aos ouvidos e, assim proteger a audição, antes de que este sentido se deteriore”, completa o especialista.
Zumbido constante, cefaleia, tontura, irritabilidade e desconforto com sons intensos podem ser um sinal que o indíviduo esteja sofrendo com a perda auditiva. Geralmente, acompanhado desses sintomas, vem a perda da capacidade de entender conversas com ruídos ao fundo, dificuldade em identificar de onde os sons estão vindo e de acompanhar conversas em grupo. Ainda, se a pessoa sempre pede aos outros para repetir o que disseram, tem amigos ou familiares que dizem que ela não ouve bem ou deixa a TV ou o rádio em volumes muito mais altos do que necessário, é hora de procurar um especialista.
Tratamento de alta tecnologia
Para cada caso de perda auditiva existe uma indicação específica de tratamento que pode ser desde o uso de aparelhos para amplificar os sons até soluções mais modernas, como o implante coclear. Trata-se de um dispositivo multicanal e microeletrônico de alta tecnologia, que restabelece o poder de audição por estimulação elétrica do nervo auditivo. Sua formação compreende dois componentes: um externo, o processador de áudio que é usado atrás da orelha, e um interno, o implante. Ele representa, até hoje, o primeiro substituto real de um órgão sensorial.
“O dispositivo é colocado cirurgicamente sob a pele atrás da orelha e um conjunto de eletrodos é inserido profundamente na orelha interna, especificamente na cóclea. O processador de áudio captura e codifica o som e envia a informação através da pele para o implante. Por sua vez, o implante envia esta informação sonora sob a forma de pulsos aos eletrodos da cóclea, que estimulam diretamente o nervo auditivo, enviando a informação para o cérebro, que o reconhece como som”, explica Marilia Botelho, fonoaudióloga especialista em Audiologia, gerente de produtos da Medel no Brasil.