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Homenagem e nota de pesar do NUREG sobre o assassinato de Marielle Franco

NUREG - 15/03/2018

Morreu.
Morreu a preta da maré,
a negra fugida da senzala
que foi sentar com "os dotô" na sala
e falar de igual pra igual com "os homi".
A negra que burlou a fome de se saber,
que fez crescer dentro dela, o conhecimento.
Aquela, que por um momento de humanidade,
sonhou com a justiça, lutou por liberdade
e ousou ir mais alto,
do que permitia sua cor.
"Mas preta sabida, não pode!
Muito menos pobre! Não tem valor."
Diziam as más línguas na multidão.
E ela ousou tirar seus pés do chão.
Morreu.
Morreu a "preta sem noção",
que falava a verdade na cara do patrão,
que carregava a coragem, como bagagem,
no coração.
O tiro foi certo,
acertou com maldade,
ecoando seco no centro da cidade.

Anielli - Poeta de V Redonda

Marielle Franco, mulher, negra, lésbica, ativista, defensora dos direitos humanos foi assassinada brutalmente na noite de ontem no Rio de Janeiro. Nós, do Núcleo de Gênero e Relações Étnico- Raciais da FACHO, e a FACHO, estamos profundamente tristes e exigimos justiça por Marielle e por quem ela representa.